Re: freud-lacan: fantasía o fantasma?

Mirian Giannella giannell at uol.com.br
Fri Nov 1 23:40:49 GMT 2002


Salut Margarita,

J'ai reçu recemment les notes d'un groupe de traduction de
l'association freudienne internationale que devient Association Lacanienne
Internationale
que je te passe sur la question de la traduction de ces termes en portugais.
Il faudra voir pour l'espagnol comment ça se passe.
Mais par ce que tu dis ça doit être pareille.

Je t'embrasse
Mirian
________________________________________________________________

Nota sobre a tradução

            O grupo de tradução francês-português, criado por iniciativa do
Cartel da América Latina da Association Freudienne Internationale,
constituiu-se a partir de setembro de 1995 para traduzir Litturaterre
(Lacan,1971).

            A confrontação com o estilo de Lacan e especialmente com este
texto em que a letra está em primeiro plano abriu uma trilha que, de
Lituraterra à Terceira, levou-nos a elaborar um estilo de tradução de Lacan
em português que ora apresentamos e submetemos ao leitor brasileiro.

            Este estilo acaba sendo o resultado teimoso de tentar sustentar
algumas apostas. A primeira delas seria a de trazer para o português a
virulência significante do texto original, ou seja, uma tradução que levasse
em conta a própria teoria lacaniana da linguagem da qual alguns aspectos são
ressaltados por Lacan na Terceira:

". a linguagem é verdadeiramente o que só pode avançar torcendo-se e
enrolando-se, contornando-se de uma  maneira da qual afinal de contas não
posso dizer que não dou aqui o exemplo. Não se deve acreditar que, ao
aceitar o desafio lançado por ela, ao marcar em tudo que nos concerne até
que ponto nós dependemos dela, não se deve acreditar que faço isso assim de
bom grado. Acharia melhor que isso fosse menos tortuoso".

            Esta concepção lacaniana vem, ao nosso ver, determinar seu
estilo, e a tradução só pode acompanhar e não simplificar - aclimatando,
desfazendo as torsões, as inversões e as repetições  - em nome de uma
suposta legibilidade. A tradução aqui não se pretende uma hermenêutica do te
xto lacaniano mas, antes de tudo, vem testemunhar a prevalência da letra e
do jogo do significante. Esta seria nossa única fidelidade, aceitando o
risco de tornar o texto estranho em português, mas não estrangeiro à língua.
Isto não quer dizer que seja uma tradução "ao pé da letra", mas antes uma
tradução que pretende não escamotear o real da letra como impossível. Trazer
para o interior mesmo da tradução do texto de Lacan o impossível como
categoria lógica afasta-nos de uma certa linha de tradução que, face ao real
da letra, trabalha no luto ou na impotência.

            Lacan, é preciso que se saiba, forçou a língua francesa,
subverteu expressões, criou neologismos semânticos e lexicais, propôs ele
próprio traduções nada ortodoxas, forçou a ortografia e a sintaxe. Assim,
reproduzimos a variação dos estilos - ora coloquial, ora formal -,
mantivemos as repetições e pausas sempre que percebemos sua função enfática
no contexto e aceitamos até mesmo o desafio de deixar, como no original,
frases inconclusas.

            Seguindo a mesma lógica, preferimos também, tanto quanto foi
possível, não carregar o texto com notas de tradução. Ao invés de explicar
em nota o significado de um neologismo, buscamos criar, a partir das
leituras possíveis e com os recursos de nossa língua, um termo neológico.
Essa opção pode ser exemplificada pela criação da forma verbal gossou. Em
francês, ela se apresenta na palavra-valise je souis, onde se pode ler je
suis (eu sou) e je jouis (eu gozo). Calcados na fórmula descartiana que, em
português, dispensa o pronome de primeira pessoa - "penso, logo sou" -
unimos em uma nova forma verbal as duas possibilidades.  Por outro lado,
mantivemos, por exemplo, a tradução de semblant por semblante, tentativa de
preservar a raiz latina sem/um, importante de guardar neste conceito já que
não há outra unidade a não ser o próprio significante.

            Tentamos, pois, laborar nossa língua para fabricar um texto em
que os rastros deste trabalho de Lacan com a linguagem não fossem apagados.
Que esta tradução seja mais um convite para a discussão da tradução de Lacan
no Brasil, que vem ocupando todos aqueles interessados pela transmissão da
psicanálise.

Paris, novembro de 2001.

Ângela Jesuino Ferretto,
Celina Ary Mendes Garcia,
Gilles Garcia,
Luiz Alberto de Farias,
Maria Roneide Cardoso Gil
E Patricia Chittoni Ramos.

1) Fantasme   -->     fantasia - Embora a tradução de Fantasme por Fantasma
tenha sido consagrada no Brasil preferimos fantasia, tradução longamente
argumentada por Marcus do Rio Teixeira no Posfácio sobre a tradução do
Dicionário de Psicanálise 1 - Freud & Lacan - Ágalma: << No caso de
fantasma, o aquívoco e sua disseminação são semelhantes, ou mesmo maiores.
Marilene Carone (Carone,M., "Freud em português: Tradução e Tradição", in
Sigmund Freud e o gabinete do Dr. Lacan, Paulo César Souza, org.,
Brasiliense, SP,1989)  critica especificamente esta tradução: "A apropriação
automática, irrefletida, das soluções estrangeiras e a adesão, sem mais, aos
caminhos da problemática surgida em outras línguas, ao nosso ver pode chegar
às raias da violência lingüística. É o caso, por exemplo, da adoção em
certos cículos da palavra 'fantasma' como tradução em português do termo
alemão Phantasie. J.Laplanche alega que em francês é preferível fantasme
porque a palavra francesa fantaisie tem uma conotação quase pejorativa,
indicando algo como invencionice, capricho, algo que implica em falta de
seriedade. Ora, em nossa língua o termo fantasia não padece necessariamente
dos mesmos males que a fantaisie francesa. "Fantasia" em português e
Phantasie em alemão são equivalente quase perfeitos: se consultarmos os
respectivos dicionários veremos que nas duas línguas a acepção básica é a de
"mundo da imaginação" -a fantasia quotidiana, a fantasia poética, a fantasia
artística em geral. Por outro lado, em nossa língua acontece com "fantasma"
um inconveniente que não se registra no fantasme francês. "Fantasma", na
nossa acepção mais imediata do termo, remete para a figura terrorífica, de
lençol branco, aparição de castelo mal-assombrado, visão, espectro, ou então
o super-herói de história em quadrinhos. Mais ainda: convém lembrar que o
nosso "fantasma" em francês é fantôme e não fantasme. Se, como na história
do poema de Goeth em japonês, o fantasma fosse retraduzido para o francês,
resultaria em fantôme e não em fantasme. Em suma: Phantasie, do alemão, com
escala em Paris, chega até nós como "fantasma", da mesma forma que "andar
térreo", em Freud, via Inglaterra, chega até nós como "subsolo", ou as copas
das árvores alemãs do poema de Goeth, via Japão, se transformam em
"cerejeiras". Abandonamos o nosso excelente equivalente da Phantasia
freudiana para adotar, sem passar pela alfândega, a solução francesa ( que
certamente na língua francesa está muito bem justificada)". Que os
tradutores e analistas franceses rejeitem a palavra fantaisie é
compreensível e plenamente justificável pelas peculiaridades do seu idioma;
o que é incompreensível e injustificável é que os analistas brasileiros
assumam essa opção, desconhecendo as características do nosso idioma. Parece
que estamos diante de um caso de enamoramento pelos mestres estrangeiros, de
que fala Ricardo Goldenberg ( Goldenberg,R, "O mal-estar no português ou
Olha quem está falando", in Boletim de Novidades n° 57, Pulsional, SP,
jan.94): "As violências perpetradas pelos filhos sobre a lei que rege sua
língua materna demonstram, em suma, ora o enamoramento do pai estrangeiro,
ora o desprezo - ódio, talvez - pelo pai nacional". Aliás, cabe notar que o
termo fantaisie seria corretamente traduzido entre nós como devaneio. Assim,
teríamos, esquematicamente, as seguintes traduções corretas:

Alemão             Francês             Português

Phantasie          = Fantasme        =  Fantasia

                           Fantaisie         = Devaneio

                           Fantôme          = Fantasma

                Quanto à grande difusão da tradução incorreta, lembramos que
ego, id e superego sempre foram traduções consagradas, e nem por isso
justifica-se a continuidade da sua utilização. Buscamos acabar com a
"violência lingüística" de que fala Marilene Carone, restituindo ao leitor
brasileiro a tradução compatível com o nosso idioma de dois termos da maior
importância na teoria freudiana e lacaniana.>>.

·         Vera Ribeiro na versão brasileira dos ESCRITOS de Jacques Lacan -
Jorge Zahar Editor também adota a tradução para o português de fantasme para
fantasia.

  ·         Robson de Freitas Pereira diz num comentário informal: " não se
trata de uma precisão lingüística. Vocês devem estar lembrados que esta é
uma discussão histórica dentro do lacanismo brasileiro. Francisco Franke
Setineri seguiu uma tradição que acompanhou mesmo a discussão iniciada
quando M.D.Magno e Marie Christine Laznik traduziram os primeiros Seminários
em português. Tradava-se, entre outras razões, de fazer uma diferenciação
significativa com o termo Kleiniano, criando um significante - fantasma -
que pudesse fornecer uma possibilidade de deslizamento mais rica que o termo
fantasia, tão consagrado nos meios psi, como no senso comum. Por outro lado,
tratava-se também de recuperar uma tradição freudiana de utilizar palavras
do vocabulário popular para que elas expressassem sua força enunciativa,
participando da cultura que a originara ( coisa que o vocabulário
anglo-saxão técnico tratou de eliminar). Daí fantasma que alude muito mais a
algo do desconhecimento, do além-eu".

Não acreditamos ser necessário introduzir o termo de devaneio.

2)   JE  /  MOI                  Questão séria a ser discutida tanto mais
que várias soluções já foram sugeridas e adotadas:

· Marie Christine Laznik Penot na versão brasileira do Seminário 2 de
Jacques Lacan - Jorge Zahar Editor justifica nas notas do tradutor: cf. nota
1: << Le je n'est pas le moi. A questão da tradução em português das três
instâncias da segunda tópica freudiana: ich, uber-ich, e es, cuja tradução
em francês é moi, surmoi e ça, já foi abordada quando das precedentes
traduções dos Seminários de Lacan. A proposta feita por M.D.Magno e aceita
por Betty Milan foi a de empregar os pronomes da própria língua para a qual
se estava traduzindo, ou seja, no caso do português, o eu, o super-eu e o
isso. Segundo eles, nada justifica o emprego dos termos latinos de id, ego e
super-ego, introduzidos pela tradução inglesa. Esta correção pareceu ousada
na época porque ia contra os hábitos adquiridos, dados que, em geral, as
obras de Freud publicadas em português não foram traduzidas a partir do
original, e sim da tradução inglesa. Esta retificação mostrou ser, no
entanto, vanguardista, já que há atualmente nos próprios países anglo-saxões
um movimento que contesta a oportunidade de habitual tradução latina dos
pronomes alemães. Empregaremos, pois, o eu, o supereu e o isso.>>

<< Porém a tradução deste Seminário livro II teve de enfrentar um problema
específico quanto ao emprego do pronome eu. A língua francesa distingue
entre os pronomes pessoais da primeira pessoa o je do moi. O je funciona
estritamente como sujeito, enquanto que o moi pode ocupar todas as funções,
inclusive, por vezes, a de sujeito. Lacan, neste seminário, vai utilizar
esta diferença na língua francesa para distinguir o sujeito do inconsciente,
que ele vai chamar de je, o sujeito por excelência, aquele que deve advir no
lugar do isso na consagrada fórmula de Freud: W o es war soll ich werden, do
moi, função imaginária. Para não termos de recorrer às formas derivadas do
eu, como o me, o mim, etc,, o que implicaria uma nova revisão da tradução
das três instâncias psíquicas, que não se justifica, tivemos de apelar para
um artifício. Todas as vezes que tivermos em francês o termo moi,
empregaremos o eu, articulando-o sempre que possível mesmo que o artigo não
esteja no texto francês. Ao passo que quando se trata do je, sujeito do
inconsciente, empregaremos [eu] sem artigo entre colchetes, mesmo que haja
artigo no texto original. Isso para indicar que se trata do sujeito da
primeira pessoa, o qual em português aparece em geral oculto. Escrevo,
dizemos, e não eu escrevo, senão quando queremos enfatizar. Eu entre
colchetes, portanto, para lembrar que este sujeito pode muito bem deixar o
lugar vago. Se isto é verdade quando se trata do sujeito do verbo, é ainda
mais verdade quando se trata do sujeito do inconsciente, que só se manifesta
para tornar a desaparecer.>>

· Marcus do Rio Teixeira no Dicionário de Psicanálise 1 - Freud & Lacan -
Ágalma justifica no glossário: << eu (Ich; Moi): Seguimos a tradução
proposta por M.D.Magno e adotada por Betty Milan (vede nota 2 do Seminário
1) e Marie Christine Laznik Penot ( cf. nota 1, Seminário 2). Esta tradução,
conforme os tradutores citados, possui a vantagem de restituir o estilo
coloquial presente nos termos originalmente empregados por Freud, em lugar
do pedantismo pseudo-erudito da tradução inglesa. Conseqüentemente, surmoi
( Über - Ich ) foi vertido para o nosso idioma como supereu, e moi ideal (
Ideal-Ich) como ideal do eu. Para distinguir do je, que Lacan emprega para
referir-se ao sujeito do inconsciente, preferimos simplesmente grafar este
último em maiúscula: Eu.>>

· Antônio Carlos Rocha, do grupo do Rio de Janeiro, responsável pela
tradução da lição 5 do Seminário O Objeto da Psicanálise comenta no
glossário da sua lição: << je / moi, a tradução dos escritos em português
propôs a opção de traduzir moi por eu e je por [eu] ( entre colchetes ) com
o intuito de acentuar a distinção, que não é apenas vernacular do francês,
mas tem implicações cenceituais. Não nos pareceu, entretanto, salvo melhor
juízo, que tal artifício se justifique, pois o uso do eu, em português, pode
perfeitamente ser identificado pelo contexto em que esteja sendo utilizado,
de modo a permitir a compreensão do sentido que ele tem na alternativa je /
moi em francês, conforme a incidência mais especular do moi ou a função mais
simbólica do je.>>

 · Vera Ribeiro na versão brasileira dos ESCRITOS de Jacques Lacan - Jorge
Zahar Editor justifica no glossário:" je = [eu]; moi = eu - Para distinguir
na tradução em português o uso do moi e do je franceses, adotou-se solução
análoga à utilizada na versão brasileira do Seminário 2 de Lacan ( ver ali
as "Notas do tradutor", p.408): je, sujeito do inconsciente, vem grafado
entre colchetes, [eu]; moi é convencionalmente grafado, eu. Respeitou-se
ainda, na versão deste termo, o uso feito por Lacan de maiúsculas e/ou
itálicos."

Que solução vamos adotar ?

----- Original Message -----
From: "mmqr" <di1version at epm.net.co>
To: <freud-lacan at lutecium.org>
Sent: Friday, November 01, 2002 10:16 PM
Subject: freud-lacan: fantasía o fantasma?


> Buenas tardes.
> Quiero decirles (Srs, JS, JB, Sra Lilianne, etc, quienes estan trabajando
en
> este espacio de lutecium en este tiempo), que no estoy participando en el
> trabajo actual de lutecium, cosa que me gustaría, por estar ocupada en las
> cosas del seminario 10.  Pero leo sus trabajos y de ellos, obtengo como
> siempre, ganancias.
>
> Tengo un problema a resolver (clases 1 y muchas otras del seminario 10).
> El término "fantasme", traduce, literalmente, "fantasía".
> Leclaire (citado en "Lacan día a día", por DS) lo deja traducir de esta
> manera en su texto Psicoanalizar, página 13, cuando hace referencia a "Le
> journée sur le fantasme" del 21 de octubre de 1962, diciendo: " (nota 11)
> ... por ejemplo de los cuadros de Magrite (-nota 10- el catalejo, la
> condición humana, la llave de los campos, en los que una ventana,
> abierta-cerrada, se inscribe en el cuadro) J. Lacan ilustró en un momento
> dado, la estructura de la fantasía".
>
> ¿Por qué se traduce entonces este término, fantasme, como
> fantasma -"fantôme"-, y no como fantasía?.
> O, es que, la fantasía, por su articulado en psicoanálisis, adquiere el
> sentido de fantasma "fantôme"?. Si es así porque no se le escribe
Fantôme?.
> Si bien, fantasía tiene que ver con fantasma, y fantasma con fantasía, de
> todas formas, pienso yo, hay diferencia entre estos dos términos.  Para
mí,
> fantasma, en psicoanalisis, habla de algo ya articulado teoricamente, e
> inscripto, por JL, en su formula, S/punzon a. Probablemente nombrado,
> incluso, en la citada jornada (de la que si alguien tiene notas o el
> comentario de Lacan, le agradecería, su referencia o su remisión, de ser
> posible). Y fantasía, hablaría, del camino del síntoma, y su articulación
> con freud, al respecto, probablemente. Quizá tiempos lógicos?: fantasía,
> fantasía (freud), fantasma (lacan). Pero lacan mismo utiliza el término
> fantasme. También el de fantôme, si bien.
>
> Gracias por cualquier información, o aclaración.
>
> margarita
>
>
> Bref,
> Pour vous dire, (Mr,JS, JB, Mme Lilianne, et ceux qui travaillent
> aujourd'hui dans cet space Lutecium) que je suis occupée en travaillent
sur
> le seminaire de l'angoisse, pour ça, je ne participe maintenat, mais je
lis
> vos travaux et j'y toujours quelque chose obtiens.
>
> Je vous demande, illuminer, sur l'usage des mots "fantasme" et "fantôme"
> dans la psychanalyse.
> Dans la clase du 14-XI-62 (l'angoisse), JL met le mot "fantasme", quand il
> fait reference sur le journée de fantasme, du 21-X-62 (dont, si vous avez
> quelque notes, je vous remercie la reference, ou sa remisión, d'être
> possible). Leclaire(cité par DS, dans son oeuvre Lacan jour par jour) dans
> son oeuvre, Psicoanalizar, en faissent reference aux ce journée, laisse
> traduir ce mot "fantasme" à "fantasía".  Nos traductions, au spagnol,
> disent-ils, fantasma, quand les originaux en français (ALI, ELP),
> disent-ils, "fantasme",  pas fantôme.
>
> Je voudrais quelque aide sur ce sujet.
>
> remercie
> margarita
>
>

~~~
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http://www.lutecium.org/arc/freud-lacan@lutecium.org/
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